A atribuir prémios desde 1992 e assumindo-se mais como amadora que profissional, a Academia Portuguesa de Gastronomia (APG) já revelou as distinções referentes ao ano de 2007.
Desde já, uma novidade: a criação do prémio "Jovem Cozinheiro com Futuro", que coube ao chefe João Antunes. O actual proprietário do Le Vin Rouge, no Monte Estoril, passou anteriormente pelas cozinhas do 100 Maneiras e pelas do Hotel Ritz. É descrito pela APG como tendo "notáveis conhecimentos técnicos e dotado de bom gosto", acrescentando-se o facto de ter vindo a demonstrar cada vez mais potencialidades. A decisão de criar este prémio, segundo a Academia, passa pela crença que para se criarem, no futuro, chefes de cozinha de reputação internacional, há que incentivar e motivar os jovens talentos.
Passando para o troféu "Arte da Cozinha", este ano a escolha recaiu no chefe Henrique Sá Pessoa, pelas suas "qualidades de grande cozinheiro". O vencedor do concurso Chefe Cozinheiro do Ano 2005 (que a INTER Magazine escolheu como Figura do Ano 2007), está hoje ao leme do restaurante Panorama, no Sheraton Lisboa, depois de ter impressionado no Flores do Bairro Alto Hotel. As razões para a Academia atribuir esta distinção a Henrique Sá Pessoa incluem a apresentação do programa Entre Pratos, "notável pela divulgação de novas ideias, produtos e técnicas e de grande agrado entre o público." É caracterizado ainda como sendo "um chefe competente e inovador."
Livros (d)e mesa
A literatura também é alvo de distinção, neste caso representada pelo livro "Queijos Portugueses" da autoria de Maria de Lourdes Modesto e Manuela Barbosa - ambas distinguidas com o prémio "Literatura Gastronómica". A Academia explica: o livro é "elaborado de forma cuidada e criteriosa nas suas três vertentes mais importantes: gastronómica, científica e visual", e merece todo o seu "reconhecimento e admiração". O produto é considerado pela APG aquilo que distingue o património culinário de um país ou região, e merece ainda mais importância "numa altura em que a mundialização nos aporta produtos de todas as formas e de todos os lugares, incaracterísticos, banais, assépticos e, quantas vezes, insípidos".
Finalmente, o prémio "Chefe de Mesa" coube a Chaínho de Oliveira, há dezasseis anos encarregue da sala do Cipriani, no Lapa Palace, e que foi considerado "um exemplo a seguir". A distinção foi atribuída pela forma profissional como dirige a sua sala e o facto de desempenhar uma função que a Academia considera não ter a importância, na maioria dos restaurantes nacionais, que devia ter. A esperança é a de que mais jovens profissionais sigam este exemplo.